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Primeiro Amor

Minutos antes o céu chorava em lágrimas de prata e mesmo que agora apenas a cinza chumbo do céu e o ar frio e úmido fizesse lembrar a chuva que passará,  ela ainda se perguntava se era certo o céu chorar tão copiosamente em uma tarde de sexta feira,  mesmo sendo tarde de verão. 

No banco do carona do X5 do pai,  ela ainda matutando sobre a chuva que a pouco caia e nas férias de verão que passará na pequena Fazenda da avó. Enquanto pela janela do Mercedes a paisagem ia se alternando entre enormes trechos de matagal e plantações de verduras e legumes. Sempre há um certo encanto nestas paisagens rurais,  pelo menos no início antes de se tornar monótona e permitir que mergulhemos em divagações mentais. Um grande campo repleto de eucaliptos novos ia passando pela janela e o pai comentou algo sobre ja ter feito algo ali antes de se tornar aquela plantação,  tudo que ela conseguiu captar foi a palavras: futebol. Então simplesmente deu um sorriso amarelo e balançou a cabeça algumdeu vezes. O pai sorriu e se calou novamente. Ela passou a observar céu que ia ganhando tons de azul tímidos,  mas o ar continuava pesado e frio. Em sua mente as lembranças tinham ares multicoloridos e o gosto agridoce da saudade.  Levaria algumas semanas até ela novamente se reunir aos primos e amigos e poder reviver suas lembranças de infância que ia sendo deixada para trás. Aos treze anos ela acabará de viver uma das experiências mais importantes de sua vida,  mas ainda se sentia pouco a vontade ao olhar nos olhos castanhos e tristes de Saulo,  seu primeiro amor e co-autor daquele que Beatriz achava ter sido o melhor primeiro beijo de todos tempos. Agora pensando nisso ela ainda pode sentir a sensação dos mornos lábios dele junto aos dela. Ela sentisse boba ao pensar que não soubera o que dizer após tal experiência,  tudo que conseguirá foi dar um enorme sorriso e abraçar o agora primeiro namorado. O pai pigarreou e antes de olhar para ele lhe veio um pensamento sobre o que ele acharia se soubesse que a filha caçula tinha beijado um garoto embaixo de uma mangueira e que aceitará namorar o tal garoto. Achou melhor não pensar nisso agora,  afinal quando chegasse em casa ela iria descobrir. Sempre contava coisas importantes para os pais,  e isso é importante, não é? Sem dúvida!

O pai disse que eles deviam parar para comer alguma coisa no próximo quilômetro,  porque depois que entrassem na rodovia ele queria ir direto. Ela disse que estava sem fome,  afinal havia se empanturrado de guloseimas na casa da avó.  O carro dos tios os ultrapassaram pela esquerda e os primos acenaram em meio a breves buzinadas.  O pai parou no posto de gasolina e comprou algumas guloseimas e duas garrafas de água mineral sem gás. Os tios tinham optado por seguir direto para Marília. Era horrível para ela morar tão longe da família,  a avó em São Carlos,  e os tios e primos em Marília, enquanto ela morava na Capital com os pais e dois irmãos mais velhos,  ambos ja na Universidade. Mas o trabalho dos pais fazia com que eles precisassem morar em São Paulo e o dos tios que permanecessem no interior,  mesmo que trabalhassem na mesma empresa que fora fundada pelos bisavós de Beatriz quando chegaram ao Brasil fugindo da perseguição aos judeus da Europa. Eles tiveram a sorte de sair da Polônia antes da chegada dos Alemães e suas tropas esmagadoras,  eles deixaram a terra Natal assim que houve tumultos e boatos da grande invasão.  Alguns podem achar que foi uma atitude medrosa ou mesmo covarde,  mas assim eles conseguiram contrabandear boa parte de recursos em forma de Ouro e outras pedras preciosas,  além de não terem se tornado vítimas dos terríveis massacres aos judeus poloneses.  Quando em vida a bisavó da garota sempre dizia que sua história nunca seria heroica e bela como a de Anne Frank,  mas ela ainda estava viva pra contar,  mesmo que com uma enorme dor pela perda de seus irmãos e irmãs que foram caçados como bichos e humilhados das piores formas, a ponto de muitos considerarem a morte como um presente. Com o restou após os muitos pagamentos a atravessadores, autoridades,  e aproveitadores,  eles abriram um pequeno entreposto de grãos e café,  e com muito trabalho e cuidado o negócio foi prosperando aos poucos e passando para as outras gerações.  Agora o pai de Beatriz e seu tio sendo os herdeiros cuidavam da empresa. Enquanto o tio mais velho, Otto,  cuidava do relacionamento com os produtores e cooperativas do interior,  o pai,  Neil,  era responsável pelo escritório Central de venda e negociação com clientes nacionais e internacionais. 

Aos poucos a cidade de São Paulo foi aos poucos se mostrando no horizonte,  linda e imponente se mostrando com seus arranha-céus.  Beatriz aproveitou para mandar mensagem para seu namorado,  ele ainda estava no sítio da família,  e disse que queria estar com ela, e a maior verdade do mundo era que ela também não queria outra coisa no mundo. Quando a garota saiu de São Paulo para passar dois meses e meio na Fazenda da avó,  com os primos e para rever os amigos de lá,  ela não podia imaginar tudo que estava reservado para aquele verão. Henrique,  o primo,  e Larissa,  a prima,  eram muito próximos de Beatriz, os três tinham idades muito proximas e confidenciavam tudo um para o outro. A turminha de férias era completada por Adriano,  Mônica e Gustavo,  os amigos de infância deles.  Saulo entrou na história duas semanas depois que eles chegaram a Fazenda da familia Berg,  em uma das excursões da turma pelos arredores, Adriano notou antes dos outros um garoto em cima de uma enorme árvore que eles mesmo gostavam de escalar as vezes. Quando se aproximaram da árvores divisaram um garoto da idade deles com os cabelos escuros e olhos  castanhos e um pouco tristes. 

   - Oi!  Vocês moram por aqui?  - O garoto apressou-se em dizer - Meu nome é Saulo,  vim passar as férias no sítio da minha família.
 
 - Oi,  nós também estávamos passando férias,  na fazenda da nossa avó. Fazemos isso todos os verões,  mas nunca te vimos por aqui. Eu sou o Henrique,  esta é minha irma Larissa,  e meus primos Beatriz,  Adriano,  Mônica e Gustavo.

    - Prazer!  É que minha família acabou de comprar o sítio, ele fica logo ali,  da pra ver daqui.

   - Vocês compraram o sítio dos Soares Campos?  Poxa,  o Jhony é nosso amigo.

   - Sinto muito pelo seu amigo,  mas se quiserem podemos ser amigos,  não conheço ninguém,  nem nada por aqui...  Podem me mostrar!

   - É claro que sim...

Beatriz sentiu-se estranha diante do garoto e pode notar que ele também estava desconfortável,  pois não a encarava também,  apenas trocavam olhares furtivos.

   - Vamos nadar no lago,  você pode vir com a gente se quiser. - Adriano convidou

   - Se estiver tudo bem para vocês,  eu vou sim.

Dez minutos depois eles estavam em trajes de banho se balançando em uma enorme corda e se jogando no lago. Quer dizer menos Saulo que não tivera tempo de pegar uma roupa melhor para nadar e agora estava com a bermuda completamente encharcada. As garotas mergulharam e foram pegar sol na Beira do lago,  e aos poucos para Saulo foi ficando impossível não observar Beatriz,  ele ficava a todo instante do conselho do pai para nunca ficar encarando por muito tempo uma garota em trajes de banho,  porque isso era indiscreto e errado,  mas era como se algum tipo de magnetismo o levasse a não conseguir desviar o olhar. E notou que ela também olhava a todo instante para ele. Será que ele estava a deixando desconfortável e sem jeito?  A prima e amiga voltaram para a água e Beatriz ficou na beira do lago apenas molhando os pés.  Saulo estava se divertindo com os novos amigos e queria conhecer a todos eles,  então achou que era melhor conversar com ela do que ficar de longe só olhando como um bobo. Foi assim que descobriu que ela morava a alguns bairros dele,  que Deus colégios eram no mesmo bairro e que ela tinha gostos parecidos com os dele. Eles tinham muito incomum e logo a amizade ja ia nascendo. Adriano e Henrique vieram pegar o novo amigo e o jogaram na água gelada do lago e ele sentiu os minúsculos cristais de água invadindo seus poros de modo refrescante, quando voltou a tona viu que eles tinham feito o mesmo com Bia,  que agora sabia também ser apenas prima de verdade de Henrique e Larissa, mas que considerava os outros amigos como primos postiços. Eles se ergueram muito próximos a ponto das mãos se tocarem enquanto tentavam se livrar da água no rosto. Passaram metade do dia no lago se balançando na corda e caindo na água e a outra metade depois do almoço cavalgando pelos campos ao redor com cavalos da fazenda. Os dias passaram rápido e muito prazerosos para todos eles, e a cada dia eles ficavam mais próximos.  Larissa foi a primeira a notar o que estava realmente acontecendo e perguntou a prima se ela estava gostando do Saulo,  a garota não negou que apesar de nunca ter gostado de um garoto, ela achava que estava interessada em Saulo,  mas que não sabia se para ele era apenas amizade e que tinha medo de perguntar. Coube a Henrique a tarefa de sondar o amigo sobre o que achava de Bia,  no início o garoto achou que o amigo queria tirar satisfação por causa da prima,  mas logo entendeu que era apenas perguntas entre amigos,  e não negou que estava gostando da garota. O meio de campo tendo sido feito eles sabiam do interesse mútuo entre eles e tiveram uma conversa franca e tão séria quanto a idade deles permitia. Bia confessou nunca ter ficado com outro garoto e ele disse não se importar afinal ele mesmo só dera um beijo até aquele dia. Desde a conversa até o pedido de namoro demorou dois dias,  e dali até o primeiro beijo mais 5 dias.  E nos dias que seguiram se divertiram muito junto com os amigos. O namoro deles era muito inocente para atrapalhar a convivência e diversão com os amigos,  eles se sentiam bem e contentes com a presença do outro ao lado e de sempre que possível andarem de mãos dadas seguidos de beijinhos.

Agora um mês quase dois meses depois eles estavam separados por varios quilômetros,  mas que em breve se tornariam apenas algumas quadras.  E o plano ja estava feito e decorado por eles,  algumas vezes por semana Saulo iria encontrar Beatriz a caminho a escola ja que era caminho pra ele. E sempre estariam em contato pela redes sociais. E quando os pais de ambos permitissem eles poderiam ir no shopping,  cinema ou passear pelo bairro. Eles estavam contentes com isso. E não viam motivos para seus pais não permitirem o namoro.

 Quando o carro foi estacionado na garagem da casa da família Beatriz já  tinha adormecido a mais de meia hora. E o pai teve que acorda-la. Quando chegaram na sala de estar a mãe, Liliane,  estava assistindo um documentário enquanto os aguardava. Beatriz lhe deu um abraço cheio de saudades e  pediu para conversar com os pais. Melhor que seja feito de uma vez.

   - Vocês se lembram do meu amigo Johny?  A família dele tinha um sítio la perro da vovó,  mas agora foi vendido pra outra família.
   - Sim,  eu sabia disso,  o Matheus,  me pediu para ver se alguém conhecido queria comprar o sítio.  Fomos criados juntos sabe?
   - Então na família que comprou tem um garoto e ele é muito legal de verdade,  Eles moram a algumas quadras daqui.
   - Filha,  esta conversa toda sobre esta família vai chegar a algum lugar?
   - Calma mãe... O menino se chama Saulo e ficamos muito amigos de verdade,  e eu estou gostando dele.
   - Você está gostando dele como amigo,  ou vou esta nos informando que está vivendo sua primeira paixão?
   - Pai,  ele  gosta de mim também e estamos namorando - Foi estranho dizer isso em voz alta para os pais,  ainda mais olhando pro sorriso de lado do pai - Vocês nos deixa namorar?

O pai tomou uma posição ereta:

   - De molho algum,  não mesmo... - o coração da garota parou - Não antes de conhecemos o garoto.  Vou ligar pro Herbert agora mesmo e marcar isso
   - O... Senhor conhece o seu Herbert? 
   - É claro minha filha,  eu ia falando,  mas você não me deixou concluir não é? Ele é cliente da nossa empresa e indiquei o sítio para ele comprar.
   - Mas eu posso ou não namorar o Saulo?
   - Pode, a família é boa e são nossos amigos,  mas não vou deixar um garoto namorar minha filhinha sem que um pedido formal.
     - Filhinha,  o seu pai está brincando,  você pode ter seu namoradinho,  mas precisamos conhecer ele. Ok? E isso não pode atrapalhar seus estudos.
   - Pode deixar mamãe.
   - Ele estuda no seu Colégio? 
   - Não,  ele é do Dante,  mas é perto né.
   - É sim,  mas é bom que não estejam no mesmo Colégio, assim não se distraem muito. 
   - Verdade mamãe. Vocês são pais incríveis!  Agora vou descansar. Beijos

Assim que chegou no quarto ela ligou pra Saulo e contou o que os pais dizeram,  ele ficou feliz demais e disse que iria na casa dela quando fosse melhor pra eles. Ele estava na estrada voltando pra casa.  E disse que já tinha contado para os pais que estava namorando com ela.  O pai disse que o pai dela era um bom amigo e parceiro valioso de negócios e que ele devia cuidar bem da garota. E assim eles seriam felizes em seu primeiro amor.

A vida é assim,  não é?  Mesmo em dias nebulosos em que o céu chora em gotas prateadas em nossas mentes pode estar fazendo um dia claro em que  os raios de sol brincam de aquecer o rosto. Não importa muito se os caminhos desconhecidos aparecem querendo nos levar a encruzilhadas,  porque existe mesmo um coisa que faz tudo valer a pena, o amor,  ele tem o poder de unir pessoas,  trazer alegria ao coração. Encontramos amor nos pais que nos apoiam, nos amigos que se tornam irmãos,  nos irmãos que se tornam amigos,  nos primos que são confidentes e em sorrisos aleatórios de desconhecidos.

As histórias que vão se entrelaçando com as nossas nos levam a um amadurecimento concreto,  faz com que a gente cresça muito por sentirmos os sentimentos dos outros. Dividir a vida com outras pessoas é abrir mão de qualquer restrição sentimental e expandir nosso mundo. Beatriz, Saulo,  Henrique,  Larissa,  Mônica,  Gustavo e Adriano são personagens comuns do cotidiano e tem muitas histórias para dividir. Tudo que podemos esperar e que em outra oportunidade eles queiram dividi-las conosco.

Suas perguntas

Hoje me pergunta porque estou triste,  porque a angústia emoldura meu rosto.  Porque em meu coração a dor se faz maior que a vontade de sorrir. Minha mente viaja longe mergulhando em marés bravios de intempéries pessoais.

Hoje me perguntas porque não há cântico em meus lábios,  mas é engano seu minha alma entoa músicas melancólicas sem intervalo chamando por alento. Mas sem ver a luz que indicara sua chegada.

Não tenho em mim palavras que exzpliquem as coisas que sinto agora. Tudo tem tons de cinza,  mas não perco a esperança de ver dias melhores. Quem sabe com você ao meu lado!

Menina minha

Que doce seria poder mergulhar em doce lago de seus olhos.
Poder dizer as palavras que ja são suas,  mas que guardo em mim.
A multidão que nos cerca com suas opiniões já não importa.
Queria eu hoje poder calar as vozes do mundo,  para quem sabe assim nós possamos apenas ouvir a voz de nossos corações.

Você que está longe a trilhar caminhos por mim desconhecidos. Estaria mais próxima se seu coração abrisse para mim.  Então veria eu amor em seu claro olhar.  Fugiria para junto de ti em nosso esconderijo do coração,  faria um manifesto ao bem querer e escreveria nossa história em prosa e verso.
Comporia um poema em belas rimas que louvasse sua beleza sem fim. E em oração pediria a Deus para traze-la para junto de mim.

Mas ai está você alheia ao que sinto,  buscando em outras coisas sua alegria. Quase que desconhecendo que do outro lado há alguém que espera um sinal para fazer de você o mundo dele. Ou quem sabe apenas não queira saber de nada disso. E eu seja apenas mais um tolo apaixonado,  devariando sem fim.

Aquele Sentimento

Tu que tens se feito companhia tão presente seguindo-me a cada passo do caminho.
Em caminhar silencioso e desapressado,  mas se faz notar em momentos oportunos a ti.
Tu que tens o dom de se mostrar quando a necessidade que sinto é de outro ter ao meu lado.
Não há volúpia em seguir contigo, tão pouco é grato ter vossa companhia.
Existes porque outros renegam o direito de se fazer presente.
Bem verdade é que não abandonas aqueles que lhe causa atração. São eles que buscam meios de te afastar.

Tu que faz das noites algo longo e apreensivo.
Que para se fazer notar evidência a falta de tantos outros.
Tu que não tens atrativos e chega sem pedir licença.
Tu que faz do passar do tempo uma doença.
Que faz das noites algo doloroso.
Que em negro manto envolve o coração que não lhe deseja.

Você que não cura as feridas que causa.
Que não aplaca a falta que deixa.
Que não olha pelo caminho que esconde.
Você que como sentinela não se distrai.
Que não tem forma,  mas que preenche tudo ao redor.

Você que pode ter vários adjetivos,  mas responde só por um nome: Solidão

Marcas da Vida

As flores roxas ao redor da estrada traziam a sua mente um filme que virá com os primos no cinema a alguns anos,  e isso lhe trazia uma sensação nostálgica que de alguma forma aquecia o coração.  Era a lembrança de uma parte boa de sua vida,  na infância,  onde para um dia ser bom bastava que estivesse rodeada dos primos e amigos, assim como saber que os pais estavam a esperando em casa para lhe abraçar quando chegasse de uma das aventuras com os amigos. Ela recordou que no filme chamavam as flores roxas de "flores de Mabel"  ou algo assim. Era mesmo apenas uma boa lembrança invocada por uma coisa simples,  mas que não trazia seus personagens de volta. Ela tinha quase certeza que com algum esforço ela poderia reencontrar os primos e amigos que ficaram em sua cidade Natal,  no entanto os pais já não poderiam mais abraça-la, não depois de um terrível acidente ter os levado para de onde não podiam mais voltar,  ou ver a filha se tornar uma mulher. E isso era o que mais doía em seu passado,  afinal ela estava com os pais no carro quando o caminhão desgovernado com um seu motorista bêbado tinha arrastado o carro da família por mais de duzentos metros até encontrar um muro e esmagar seus pais contra ele. Ela que estava no Banco traseiro ficou muito ferida,  ficou na U. T. I por quase dois meses,  mas sobreviveu e desde então a quatro anos ela mora com seus tios paternos no interior de São Paulo. Quando teve de escolher entre quais dos tios queria morar,  mesmo estando de luto,  não foi difícil escolher pelos tios Marcelo e Luiza,  eles eram seus padrinhos,  tios mais próximos e pais de Estela, sua prima e melhor amiga.  O seu dia de chegada na casa dos tios,  como moradora,  jamais vai sair de sua memória.  A casa era um bonito e aconchegante sobrado em um condomínio de Marília,  e ela já estivera ali inúmeras vezes em visitas a família,  mas entrar pela porta e ouvir a tia dizer que ela era bem vinda a sua nova casa,  deu uma vontade tão grande de chorar e  correr dali,  afinal ela tinha uma casa,  um lar em São Paulo,  era um sobrado mas não aquele. Ingrid sabia que tios seriam sempre bons com ela e tratariam ela como uma filha e Estela sempre fora como uma irmã para ela. Mas ela não conseguia conter as lágrimas,  que pareciam nascer no coração e consumir todo seu corpo. Os tios e a prima a abraçaram e os quatro ficaram ali juntos por muito tempo,  e assim ela soube que na vida podemos ter dois lares,  na época ela tinha quartoze anos e os tios ficaram como tutores dela e de sua herança,  mas deixaram ela opinar sobre muitas decisões. Foi ela que decidiu não vender ou alugar a casa onde nasceu e cresceu ao lado dos pais,  e mais tarde também decidiu emprestar para o primo Augusto assim ele poderia estudar na capital sem ter que gastar com aluguel e cuidaria da casa para ela. Cada instante de sua vida em família estava bem gravado em sua memória.  Naquela tarde dirigindo pela estrada margeada por ipês e flores roxas ela recordava muitos destes momentos vividamente. No entanto eles já não doíam como na época da partida dos pais,  agora eram incrivelmente agradáveis e reconfortantes. 

As marcas que ficam em nós devido a nossas experiências de vida são mais fortes que muitas vezes imaginamos.  Ingrid nunca se iludiu que estas coisas não a influenciavam cada decisão que ela tomou em sua vida.  Mesmo a última e mais importante que fez com que ela estivesse na estrada em sua SUV indo para a segunda etapa da sua vida. Ela não sabia se sua vida adulta que se iniciava com a ida para a Universidade em São Carlos ia ser como havia planejado em conjunto com a prima que já cursava Arquitetura,  mas tinha certeza que poderia fazer muito do que tinha sido preparada para fazer em seu futuro.  E se por acaso os planos do destino fossem diferentes dos dela,  então mais uma vez ela teria a chance de mostrar sua força e resiliência diante das provações. Afinal a vida tende mesmo a ser uma caixinha de surpresas.

Quem me dera se...

Como poderia eu pedir que você viesse  a mim.

Como poderia eu pedir que você desse sua beleza e juventude para estar junto a mim.

Como poderia eu pedir que você sentisse a mesma vontade e felicidade que invade meu ser a vista sua.

Como poderia eu pedir que você deixasse de lado suas certezas e convicções para construirmos novos sentidos juntos.

Como poderia eu pedir que você abrisse mão de suas verdades absolutas para mergulhamos juntos em verdades construídas por nós.

Isso seria pedir para que tenha sentimentos que desconheço inspirar em ti. Amar quem não tenho certeza que queira.

Isso seria ousar viver um sonho que não sei se foi projetado para mim.

Isso seria tirar tirar os pés do chão e voar para um mundo mais bonito.

Isso seria encontrar um oásis em meio ao quente deserto e nele reinar.

Quem me dera hoje deixar de apenas sonhar. Não apenas imaginar!

Quem me dera hoje ver para nós um tempo bom chegar.

Quem me dera fosse para mim o brilho do seu olhar.

Quem me dera ter de seus mornos lábios beijos para mim.

Quem me dera não ter outros que te afasta de mim.

Quem me dera conhecer instantes felizes ao seu lado.

Quem me dera para sempre ser seu namorado.

Mas como poderia eu pedir que me faça feliz!

Um para o outro

Se não há luz la fora então que você fique aqui a me iluminar com seu olhar.
Se no mundo reina solidão e medo,  fique bem perto e vamos juntos construir nosso universo.
Se o tempo voa rapidamente sem nada trazer de novo,  faremos de nossos instantes únicos em nós.
Se o choro molha seu rosto nas noites frias,  deixe-me ser o alento que lhe trará a paz.

A vida não tem sido grata contigo?  Permita que minhas sinceras palavras te alcance em seu coração, onde a dor quer se fazer maior.
Quando solitário a vida se torna mais difícil,  sem consolo para viver, sem luz que guie os passos. A escuridão se torna mais negra e vasta sendo alimentada pelos medos e tristezas quem vem em torrentes.

Então se o medo alcançar a alma e seu sorriso não mais chegar a iluminar seu rosto. Eu estarei contigo,  serei seu abrigo,  usarei as forças que em mim houver para transformar seu momento triste em festa em seu coração.  E se a dor enorme for e palavras me faltar que possam aplaca-la de uma vez,  segurarei em sua mão e olhando em seus olhos a guiarei pela vida. Entregarei meu coração a ti e farei de você a razão dos meus dias. Pois seja como for ja não tenho medo de ser seu por toda a vida.

Como farol que me mostrar o caminho certo a seguir em meio a tenebrosa tempestade,  assim são seus doces olhos. Ao encontra-los sei que seguirei seguro.
Ao pensar em ti tudo é tão claro em minha mente,  pois ser feliz é o que destinado estou se contigo estiver.

Não sei de amor falar em prosa e verso,  a mim reservado foi sentir sem nunca plenamente descrever. Então uso as palavras que tenho,  na esperança que na sinceridade delas entenda que minha vida desde de o momento que te conheci é você.

Breve Encontro

Como pode simplorios olhos se acostumarem com tamanha beleza?  Tamanho era seu frescor de pele acentuando suas suaves curvas de menina moça. Foi uma explosão de beleza diante do primeiro olhar. O coração que vinha displicente e desavisado de repente se viu apressado em seu compasso ao deparar com olhar tão lindo com sua timidez de menina que ainda se espanta com a admiração de seus atributos. E assim olhando ela me fiz em silêncio,  mesmo desejando gritar louvores a presença tão doce.  Mas ao seu lado sempre presente estava ele,  seu pai,  guarda de seu tesouro,  atento aos olhares que sua pequena atraía. Dediquei-me apenas a olhar o máximo possível,  com discrição,  para anjo tão belo e amável,  e pude captar de onde eu estava suas doces palavras.  Sua voz era doce como seu rosto,  atraindo como imã minha atenção. E eu que já vinha bobo e encantado com ela me vi a sonhar,  e na imaginação viajar. Mas a realidade ali estava a minha frente dizendo que ela era bela demais,  com certeza bem mais nova e interessante que eu. As chances na melhor hipótese estariam contra mim.  Mas sonhar eu ainda podia!  Pois nos sonhos não existem regras que impedem o  coração de ser feliz ou que nos prendam em medos e timidez.

E então chegou a hora da despedida do sonho,  e em instantes cada um tomou seu destino e a vontade de um reencontro  ficou junto a lembrança do breve encontro.

Solitário eu...

A tristeza,  solidão e falta batem forte em meu peito sem ter quem aplaque a dor causada.
Amigos longe estão em suas vidas que seguem alheias a minha que trilha em outra direção.
Colo para fazer de abrigo me falta. Não há braços que me amparem em minha queda.
Estou solitário com medo e frio. Sento vendavais se aproximando de meu frágil cais.
E quando lançado ao mar estou falta-me um farol para guia-me ao porto em segurança.

Onde andará aqueles que comigo andavam em festa,  que em confidências falávamos em segredo?
Será que lhes falta força para chegar até a mim?
Ou quem sabe em tempo de festa era mais atrativo estar ao lado meu,  e agora que tristeza e dor habitam em minha alma ja não lhes sou companhia desejável.

Palavras que cheias de poderes transmitem sentidos e sentimentos porque se fazem mudas quando estes que comigo andavam deveriam usa-las em direção a mim.
Tens acaso medo de após uso terem fiquem sem sentido ou haja má interpretação?
Não sabes que de bom grado mergulharia eu em seu enorme mar.

Oh tempo!  Senhor dos dias que correm sem nós pedir permissão. Hoje lhe peço que passe e traga para junto de mim a felicidade.  Pois sem ela estou a padecer sem quem me ajude.  Venha tu e aplaque esta dor.

Reflexão Matinal: Sensações da Vida

Bom dia!

A vida é cheia de sons,  aromas e sabores,  e no decorrer dela vamos experimentando algumas sensações inspiradas pelas suas combinações. Algumas destas sensações dependem do nível de maturidade,  outras do estado de espírito,  e ainda há aquelas que são próprias da fase em que estamos. Não é algo que realmente podemos escolher sentir ou não,  mas simplesmente um dia acordamos e por alguma razão percebemos o mundo de uma forma diferente,  sentimos cheiros que nunca antes havíamos percebido,  ouvimos o mundo de um modo mais ou menos intenso. Experimentamos o doce sabor de um novo beijo,  ou ainda,  de uma nova experiência gastronómica.

Para algumas destas sensações e experiência estamos preparados desde sempre,  para outras vamos nos preparando no decorrer da vida.  Sentir o mundo é algo muito pessoal,  por isso por mais que as experiências sejam iguais elas jamais deixam as mesmas marcas em duas pessoas.

Hoje peço a Deus por nossas vidas e que nos permita saber distinguir quais experiências e sensações são boas para vivemos e quais devemos preterir. Sabedoria e discernimento de caminhos.  Muitas bênçãos!