CONTO,
Ela e a Paisagem
Os olhos mal conseguiam alcançar a dimensão da planície
a sua frente, com montanhas ao longe cobertas de vegetação em tons de verdes e
tamanhos impar, porem incrivelmente harmoniosos entre si. Diante de tudo isso
ela se sentia extremamente pequena, talvez até indefesa diante da dimensão do
mundo, mas também feliz por poder desfrutar de tal maravilha da criação de
Deus. Ali sentada em uma pedra ao pé de uma velha mangueira com suas muitas
folhas, mas já com poucos frutos, devido talvez as paradas de outros transeuntes
por ali. Ela pensava em tudo que viverá até aquele momento, e se admirava pelo
fato de naquele local na divisa do Estado de São Paulo e Minas Gerais, seus
pensamentos fluírem com mais naturalidade do que quando na frenética capital
paulista. Estando ali ela quase esquecia as obrigações que a pressionava
constantemente no trabalho, dos deveres sociais que tinha, mas não entendia
porque, do medo de nunca encontrar algo que realmente a fizesse feliz. Tudo
parecia menor demais diante de visão tão deslumbrante, que deveria ser
eternizada por hábil pintor em uma obra única.
O sol aos poucos ia declinando e a tarde graduando em
direção ao crepúsculo. As sombras caindo sobre o vale à frente, sem mudar o fascínio
dela pela paisagem, ou diminuir a vontade dela de ficar ali aproveitando aquela
sensação gostosa pra sempre.
No mundo real geralmente as obrigações e a necessidades
falam mais alto que as vontades do momento. Então aos poucos aquela vozinha
insistente da consciência começou a surgir no fundo de sua mente, até que ela
notou que aquela maravilha teria que ficar guardada em sua memoria, de onde
lutaria pra não deixar sair. Com o cair da noite ela voltou ao seu carro e
novamente pegou o caminho da fazenda na qual passaria o fim de semana com
colegas do tempo da faculdade. Mais uma das reuniões enfadonhas onde todos se
esforçavam pra mostrar-se mais bem sucedido que os outros. Uma celebração a
ostentação do que não tinham em si. Era hora de voltar ao jogo da vida.

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