CONTO,

Ela e a Paisagem

sábado, julho 12, 2014 Paralelo das Letras 0 Comments



Os olhos mal conseguiam alcançar a dimensão da planície a sua frente, com montanhas ao longe cobertas de vegetação em tons de verdes e tamanhos impar, porem incrivelmente harmoniosos entre si. Diante de tudo isso ela se sentia extremamente pequena, talvez até indefesa diante da dimensão do mundo, mas também feliz por poder desfrutar de tal maravilha da criação de Deus. Ali sentada em uma pedra ao pé de uma velha mangueira com suas muitas folhas, mas já com poucos frutos, devido talvez as paradas de outros transeuntes por ali. Ela pensava em tudo que viverá até aquele momento, e se admirava pelo fato de naquele local na divisa do Estado de São Paulo e Minas Gerais, seus pensamentos fluírem com mais naturalidade do que quando na frenética capital paulista. Estando ali ela quase esquecia as obrigações que a pressionava constantemente no trabalho, dos deveres sociais que tinha, mas não entendia porque, do medo de nunca encontrar algo que realmente a fizesse feliz. Tudo parecia menor demais diante de visão tão deslumbrante, que deveria ser eternizada por hábil pintor em uma obra única.

O sol aos poucos ia declinando e a tarde graduando em direção ao crepúsculo. As sombras caindo sobre o vale à frente, sem mudar o fascínio dela pela paisagem, ou diminuir a vontade dela de ficar ali aproveitando aquela sensação gostosa pra sempre.


No mundo real geralmente as obrigações e a necessidades falam mais alto que as vontades do momento. Então aos poucos aquela vozinha insistente da consciência começou a surgir no fundo de sua mente, até que ela notou que aquela maravilha teria que ficar guardada em sua memoria, de onde lutaria pra não deixar sair. Com o cair da noite ela voltou ao seu carro e novamente pegou o caminho da fazenda na qual passaria o fim de semana com colegas do tempo da faculdade. Mais uma das reuniões enfadonhas onde todos se esforçavam pra mostrar-se mais bem sucedido que os outros. Uma celebração a ostentação do que não tinham em si. Era hora de voltar ao jogo da vida.

0 comentários: