CONTO
Doce Atração
A manhã estava ensolarada na cidade de São Paulo, o
barulho dos carros, passando pela avenida próxima, entrava pela janela fechada
do quarto. Uma enorme preguiça e cansaço circulavam pelo seu corpo fazendo com
que ela sentisse vontade de ficar na cama o dia inteiro. Olhando no despertador
ao lado da cama, descobre que já passa das dez horas da manhã. Se ficar mais um
minuto na cama, estará irremediavelmente atrasada para o trabalho. Não que seja
o trabalho dos sonhos que não pode perder, mas ela precisa dele para se
sustentar. Jurou não voltar atrás ao sair da casa dos pais, e faria de tudo
para honrar este juramento que fizera a si mesma. Levanta apressada, corre para
o banheiro, liga o chuveiro, a água esta quente demais para um dia de verão,
mas não tem como melhorar a temperatura. Tudo na casa precisa de reparos,
inclusive o chuveiro. Toma uma ducha rápida e sai ainda nua do banheiro. Uma
das vantagens de morar sozinha. Veste um típico uniforme de secretaria,
composto de saia e camisa social. Prende os cabelos em um coque um pouco frouxo.
E sai de casa, trancando a porta após si.
Seu velho “Palio 94” a espera na pequena garagem. Ela vai
até a ele torcendo para que ele esteja de bom humor e dê partida, sem ficar
engasgando a todo instante. Aparentemente suas preces foram ouvidas e o carro
pega de primeira. Agora a torcida é pra tudo corra bem, e ela consiga fazer o
trajeto nos vinte minutos que faltam
para a entrada no trabalho. Ela chega à empresa com cinco minutos de atraso e
um pneu furado. O chefe dela não chegou ainda, e ela não terá que dar
explicações sobre o atraso...
Meia hora depois um homem alto, com corpo atlético e
olhar calmo entra pela porta do escritório de advocacia que ela trabalha. Ele
esta acompanhado de um rapaz que tem quase a sua altura, cabelos num castanho
cobre, e olhos infinitamente penetrantes. Ela cora a vista do jovem rapaz!
- Bom dia Tatiane! Este é meu sobrinho Marcus, ele vai
trabalhar conosco, conforme eu tinha lhe falado na semana passada. Você pode,
por favor, mostrar o escritório para ele?
- Com certeza Sr. Monjardim – Ela encontra os olhos do
rapaz, que esta sorrindo – Sr. Marcus, queira me acompanhar, por favor.
- Apenas Marcus, por favor – Ele tenta imitar a entonação
de voz dela – Seremos colegas de trabalho.
Ela meneia a cabeça, e olha para o rapaz. Não consegue
evitar o pensamento que será uma tortura ser colega de trabalho dele. Ele deve
ser mais novo que ela, pelo menos dois anos. Ainda tem o jeito afetado dos
universitários, o que faz interpretar que ele ou acabou de concluir o curso, ou
esta no ultimo ano. Mas a tortura não estará em lidar com alguém quase da sua
vida, isso pode ser até muito bom. Ela consiste no fato de que por alguma razão
assim que o viu a garota se sentiu estranhamente atraída por ele. E que isso é
ruim, por ele ser sobrinho do seu chefe e sócio majoritário do escritório. Isso
não tem como dar certo! Ele é a combinação de tudo que pode fazer uma garota
perder a cabeça, e no caso dela poderia perder o emprego também. É bonito
demais, simpático demais, transpira confiança, um papo muito bom, além de um
suave sotaque sulista que agrada a ela, e faz sua imaginação voar.
Os dias passaram e toda vez que Marcus entrava pela porta
da frente, e desejava um bom dia, antes de fazer uma piadinha. O coração dela
queria saltar do peito, as mãos suavam, e ela se sentia incrivelmente excitada.
Alias isso ocorria até quando simplesmente ela pensava nele. Naquele terno
preto, perfeitamente alinhado ao seu corpo. E o sorriso que coroava tudo o
conjunto extremamente sex. Ela não sabia dizer se ele notava tudo que causava
nela, mas algo ele devia querer com aquelas brincadeiras e cantadas sutis que
dava sempre que se encontravam.
Dois meses completos que ele trabalhava no escritório e
continuavam apenas flertando sutilmente. Ela começava a pensar que talvez
projetasse seus desejos nas palavras dele. Talvez naquela exata tarde ele
estivesse planejando um fim de semana romântico com sua namorada ninfeta. De
repente ela notou que não sabia se ele tinha namorada. Mas já estava com ciúmes
dele? Como assim? Melhor acabar com isso, ela tinha que esquecer esta loucura.
Era sexta feira, fim de expediente, as outras secretarias
tinham a convidado para um happy hour. Ela achou que seria então uma ótima
oportunidade para se divertir e sair desta maluquice de atração por Marcus.
Quando ela chegou ao saguão do edifício do escritório, as outras três
secretarias dos diretores já estavam aguardando por ela.
- Tati, hoje nós vamos ter uma noite de advogadas de alto
padrão. Vamos ao Makanawi!
- Vocês estão loucas? Todos nossos chefes fazem o pós-trabalho
lá! Acho melhor ir um barzinho na Vila Madalena
- Deixa de ser medrosa, podemos ir lá sim. Eles pagam e
nós também. O dinheiro deles não é melhor que o nosso.
- Lucia, você fala isso por causa do seu lance com o
Natan. Eu e a Estela não temos um caso com o chefe. Não queremos vigiar
ninguém.
-Mas vai ir sim, o Makanawi é um ótimo lugar. E talvez
vocês arrumem um namorado rico por lá.
- Ok! Mas não vamos ficar mais que uma hora. Tenho que
acordar cedo, minha casa tá uma bagunça.
O Makanawi era um bar boate transado, frequentado por
endinheirados e puxa sacos. Era onde também os advogados do escritório que
Tatiane trabalhava iam tomar uísque e discutir casos anteriores e atuais.
Sempre que ia lá com as amigas ela ficava muito sem jeito em saber que os patrões
estavam logo na mesa ao lado. Talvez até ouvindo a conversa dela com as amigas,
o que era desconfortável, visto que nunca se sabe quando alguém vai usar algo
contra você.
Elas chegaram ao local e foram pedir seus mochitos cubanos.
O lugar estava já animado, alguns rapazes jogavam sinuca mais ao fundo,
claramente eram estagiários. Elas escolheram uma mesa no meio do salão. E
ficaram jogando conversa fora, fofocando sobre o escritório. Um dos estagiários
acenou para Lucia, que fez um comentário maldoso sobre ele, enquanto retribuía o
aceno. Aparentemente, ele achou que era um convite a se aproximar.
- Olá garotas! Desculpe-me se estiver errado, mas vocês
são advogadas no Monjardim e associados não são?
Tatiane ia corrigir, mas Lucia tomou a frente:
-Sim, somos associadas lá. Porque o interesse?
- Put’s eu falei aos meus amigos. Que me recordava de
vocês. Uma vez fui a uma entrevista lá. E tinha certeza que tinha as visto lá.
- Viu só estava certo. Bom né? – Estela entrou na
brincadeira.
- Vocês estão sozinhas? Porque é a primeira vez que
estamos aqui. Adoraríamos companhia.
- Vocês são de qual escritório?
-Teixeira Villar!
- Ok! Não é concorrente nosso. Vamos deixar nos pagarem
uma bebida.
- Vou buscar meus amigos. Um minuto! - O garoto saiu rápido
- Lu, eles são garotos apenas, não notou?
- Tati, e você não notou que as bebidas aqui são bem
caras? Deixe que eles paguem a próxima rodada.
- E se o Natan vê você com eles?
-Esqueceu que ele tem uma esposa. É com ela que ele deve
se preocupar.
O garoto voltou com dois amigos. E antes mesmo de
sentarem já se ofereceram para pagar a próxima rodada de bebidas. Embora apesar
da pouca idade, eles tivessem um papo legal, tudo neles lembrava a ela Marcus.
Como ele era mais maduro que eles, como as brincadeiras dele, eram mais
engraçadas. Logo a mente dela estava voando e longe do Makanawi e da conversa
com estagiários um tanto pedantes. Estava tão distraída que demorou pra ouvir
que estava sendo chamada por alguém.
= Tatiane... Tatiane... Tatiane?
- Oi... Oi – Ela voltou o pensamento ao bar, e olhou pra
quem falava com ela. Imaginou que fosse um dos rapazes ou até as amigas, mais
foi surpreendida com o rosto da pessoa que dominava seus pensamentos. – Marcus
- Não sabia que você frequenta o Makanawi!
- Não, não frequento sempre. Só vim para um Happy hour
com as meninas.
- Entendo. Vi-te de longe, pensei que pudéssemos conversar,
mas vocês estão acompanhadas. Falamos outra hora.
- Não, tudo bem, podemos conversar. Os garotos são amigos
da Lucia – Ela olhou para a amiga – Você está com quem?
- Com meu tio e o Natan, mas não aguento mais aquele papo
de advogados.
- Você é um advogado Marcus.
-Vamos ao bar falar mais sobre mim... Ou melhor, sobre
você?
- Vamos, mas ficamos com a opção falar sobre você.
Eles foram se sentar no bar, e ficaram ali conversando
sobre eles. Ela descobriu que ele era solteiro, e muito entediado com as
garotas que se aproximavam dele por causa de dinheiro e bons carros. Ele achou
fascinante a vida classe média dela. Até propôs trocarem de vidas por algumas
semanas. Logo estavam falando sobre como é ser solteiro, e então dos interesses
mútuos. Quando ele foi leva-la em casa, ela tinha certeza que estava apaixonada
por ele. E que ele estava interessado nela.
Duas semanas passaram, e eles se encontravam todos os dias
depois do expediente para conversarem. Mas até o momento só tinham trocado
beijos e carinhos. Apesar de constantemente ela estar se imaginando em momentos
íntimos com ele. Mesmo ela ainda tendo medo de se entregar e se machucar por
isso, não podia negar que havia uma enorme tensão sexual entre eles. Então
decidiu se entregar completamente a ele.
Era quarta feira, faltando apenas alguns dias para o
natal. Eles saíram do trabalho juntos, foram a um restaurante próximo.
Dividiram um excelente vinho italiano. E após foram para o apartamento dele,
que sem qualquer exagero era a maior perfeição que o dinheiro pode comprar.
Lindamente decorado, com uma pequena cascata onde normalmente ficaria a lareira.
Tudo era tão limpo, lindo e convidativo, que ela se sentiu completamente a
vontade ali. Ele abriu uma garrafa de espumante e serviu duas taças. Era tão
gostoso que ele sentiu um forte impulso de beber em um só gole, mas quis ser
educada. Quando ela tirou a borda da taça dos lábios ele a arrebatou pela
cintura e lhe beijou como nunca antes. E ela se deixou envolver pelos seus
braços e beijo. Estavam tão próximos que ela pode sentir que ele estava pronto
para o que viria a seguir. E ela também!
Três meses juntos, ele a pede em casamento! Ela aceitou
sem pensar, adorava estar com ele, amava ele. Mas depois de passada a emoção
começou a pensar se não havia sido precipitado. Não sabia ao certo se a sorte
tinha sorrido para ela trazendo um cara bonito, rico e amoroso para sua vida,
ou se isso se tornaria um tormento para ela, quando a família dele tomasse
conhecimento deste casamento. Mas ele dizia que todos estavam felizes com a noticia. E que logo fariam um almoço de
noivado.
Para ela tudo que realmente importava era estar perto
dele, não importando se seria como namorada ou esposa. Então decidiu viver um
dia de cada vez. Como todos dizem: Carpem Die!

Muito boa, porém acho que poderias ter prolongado só mais um pouco no penúltimo parágrafo. Acho que ficou meio que, quebrado.
ResponderExcluir;)
Só entendo de ler mesmo.