VIDA

Conversa entre Amigos!

domingo, junho 08, 2014 Paralelo das Letras 1 Comments

Sinceramente não sei qual a melhor forma de começar, mas talvez iniciar confessando um de meus maiores defeitos seja aceitável. Durante toda minha vida, apesar dos momentos que lutei pra negar isso, eu gastei muito tempo e energia lamentando e tentando projetar um modo de coisas que não tive ou tenho. Em alguns momentos pude dar a isso no nome de nostalgia, em outros uma extrema saudades do que não vivi, mas em todos os momentos era simplesmente a minha insistente falta de capacidade de aceitar minha vida como ela realmente é. Quem convive comigo em muitos momentos sabe que não sou uma má pessoa, nunca fui e nem tenho a intenção de ser, mas simplesmente sou humano, e todos nós sabemos que temos esta irritante mania de achar que a vida nos deve aquilo que não temos. Na Universidade aprendi que isso pode ter o pomposo nome “Problema Econômico”, que consiste basicamente no fato de que há uma demanda enorme de desejos humanos a serem saciados, porém os recursos para satisfazê-los são muito escassos. Em simples palavras nós humanos desejamos muito, mas a realidade é que pouco disso pode ser saciado, ainda mais se levarmos em conta a necessidade de equidade e partilha justa dos recursos. No entanto lições de economia básica não vêm ao caso agora. O que realmente importa é que desde que consigo lembrar, sempre senti esta “falta do não vivido”, e que agora notei que em muitas situações isso me levou a preterir momentos incríveis que vivi em minha vida. Talvez não por ter desejado assim, mas porque para se projetar mentalmente uma realidade alternativa, onde outras coisas acontecem, exige uma alocação enorme de energia e tempo. O que faz com que deixemos de lado o prazer das doces lembranças que tivemos na vida. Eu sei isso está bem confuso. Perdoe-me!

Eu tive uma infância muito boa, nunca me faltou nada que uma criança precisa. Talvez porque eu e meus irmãos nunca somos exigentes quanto a brinquedos tecnológicos ou coisas do tipo. Para nós bastava que tivéssemos nossos amigos fieis e as ruas do bairro pra desbravar em nossas mais malucas aventuras. Acho que aqui cabe abrir um parêntese para dizer que sempre fui chatinho, e um tanto arrogante, desde muito novo. Mas também sempre soube admirar aqueles que me rodeavam. Como é extremamente normal... Eu sempre fui fascinado por meus pais, a forma como eles criaram a mim e meus irmãos, com uma honra e sobriedade enorme. Éramos muitos, mas o amor deles sempre alcançou a todos nós. Eles são meus heróis!

Sempre tive também uma profunda admiração pelo Jonatas, se hoje tenho o mínimo de senso critico sem duvida devo isso a ele. O cara sempre foi um exemplo a ser seguido. Desde muito novo ele sabia como lidar e cativar as pessoas, não importava onde que fossemos, ele se enturmava e sobressaía na multidão.  Até hoje ele é assim! Foi ele também que despertou em mim a curiosidade pelos livros e pela leitura, o que foi um dos seus feitos mais incríveis direcionados a mim, porque hoje não sei viver sem as palavras, sejam as minhas ou de escritores melhores.

Tenho muitos irmãos, mais que a maioria das pessoas que leram este texto tem. Isso se alguém ler isso! Não vou falar de todos.

No entanto quero falar da Kelly, novamente tenho que dizer que quem convive comigo por algum tempo sabe que hoje não existe o eu, sem ela. A garota é meu anjo da guarda, minha salvaguarda de mim mesmo. Quando estou prestes a mergulhar junto em minha arrogância e prepotência, é ela ao meu lado que me traz a tona de volta a normalidade aceitável da vida. Em muitos momentos basta que me lembre dela. Mas nem sempre fomos os irmãos mais próximos da casa, na infância ela tinha uma preferencia pelo Jonatas, e eu posso entender por que... Eu era uma criança mimada e muito chata, tenho que admitir.

Tenho outros irmãos que influenciou positivamente minha vida, a Daniela, Sandra, Felipe, André... Mas não poderei falar deles todos neste texto. Peço sinceras desculpas.

Tenho pensado muito sobre como tenho conduzido minha vida e decidi que não quero mais basear minha vida nas coisas que eu não vivi ou que perdi ou que simplesmente não tenho. Olhando pra trás noto que tive momentos ótimos, que vivi, mas que poderiam ter sido mais bem aproveitados se tivesse desfrutado eles sem que no fundo a mente tivesse pesado o custo de oportunidade daquele momento.

Do começo do ano passado pra cá perdi três preciosos amigos, alguns de vocês sabem bem disso, alguns mesmo me conhecendo não sabem, porque nunca cheguei a comentar com vocês. O primeiro deles é bem notório, o Henry, meu melhor amigo que deixou esta vida em janeiro de 2013, ele foi um amigo presente, leal e extremamente próximo. Um garoto que sempre fará falta pra quem o conheceu, sua perda abriu uma lacuna em meu coração, que embora pareça diminuir em alguns momentos de relaxamento, jamais será fechada por completo. As duas próximas são também parentes, mas quero falar delas separadamente. A segunda é a Cristiele, uma das poucas pessoas que achei que estaria em minha vida, enquanto houvesse a vida em mim. Mas infelizmente me enganei um pouco em relação a isso. E mesmo ainda levando ela e nossos momentos de amizade em meu coração, ela se afastou de mim. A Terceira é a Diulia, ela é sobrinha da Cris, e minha também, por consideração, mesmo que eu ache que isso não faz mais sentido pra ela. Ela é outra das pessoas que desejei ardentemente que jamais saísse de minha vida. Conversar com ela, estar com ela me trazia uma paz familiar. Onde quer que nós estivéssemos eu sabia que estava em casa. Entretanto pelos mesmos motivos da Cris ela se afastou de mim.  Lamentável e extremamente doloroso. E assim perdi um amigo pra morte e duas pra vida.  Sinceramente eu não sei qual das dores é maior. Mas sinto uma enorme falta dos três.

Não quero esquecer aqueles que passaram pela minha vida e que por alguma razão se foram, mas decidi que passar os dias lamentando a partida e revivendo a dor da partida, não estão produzindo coisas boas em minha vida. E não podem produzir. Quero realmente que aqueles que a vida afastou, retornem e tudo fique bem, mas isso não depende exclusivamente de mim e não posso alocar minhas forças eternamente pra demover as opiniões de outras pessoas.

A partir de agora quero ser grato por cada bom momento que vivi e que ainda vou viver. E não mais ser definido pelos maus momentos ou pelas intempéries que vieram sobre mim.

Ao longo da minha vida fiz bons amigos, com alguns partilhei fases ótimas da minha vida, a infância com a Priscila, Talita, Adriano e tantos outros, a adolescência com a Luciana, Aline, Rita, Alex, Cleber, e mais tarde com Tabata, Ana Paula, Marcia, Guilherme, Henry, Mauricio, Paulo, Cleber, Emily, Lucilene, Tais e Tatiane Mendes, e outros. Só de ter conhecido e partilhado momentos com vocês minha vida já tem completo sentido.

E depois com o advento das redes sociais recebi presente dos meus amigos de longe, que poderiam ser chamados de “AMIGOS VIRTUAIS”, mas não vejo porque classificar amigos, pra mim todos são amigos, se conquistaram o direito de assim serem chamados.  Em muitos momentos foram este amigos que estão longe que me apoiou, consolou e mostrou que a caminhada não havia terminado só porque chegou a uma encruzilhada, e juntos podemos achar o rumo a seguir. Tenho que citar a Simone, sua filha Letícia, também a Letícia Souza, Lívia e Carol Andrade, Larissa Zanetti, Larissa Cristina... Mais recentemente a Ana Marques, Patrícia e tantos que de longe são ótimos amigos. E pra terminar quero agradecer a Nilma e a Ilda por serem pessoas maravilhosas e alegrarem meus dias de trabalho.

Obrigado a todos que de alguma forma fazem minha vida ter sentido. Prometo que vou tentar ser melhor, menos arrogante e presunçoso. E também menos orgulhoso!


Obrigado por me suportar!

Um comentário:

  1. O Texto não ficou exatamente como passei o dia imaginando escrever, mas isso não é novidade né, nunca fica... Espero que esteja entendível pelo menos... Beijos a todos

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